Rego(zi)jo no centro de Braga

António A. Ferreira
EXPRESSO Economia

O Liberdade Street Fashion, do grupo Regojo, vai contribuir para rejuvenescer o centro de Braga, com comércio e habitação.

Misturar comércio de rua com centro comercial e obter o melhor dos dois mundos é a fórmula consagrada no Liberdade Stree Fashion(LSF), um projecto de uso misto (60% de lojas, 30% de habitação e 10%de escritórios) que está a ajudar a rejuvenescer o centro histórico de Braga.

Inaugurado oficialmente a 24 de Novembro, o investimento do grupo Regojo, na ordem dos €38 milhões, enquadra-se na recente tendência de regresso ao comércio de portas abertas para a calçada por parte das marcas, aproveitando a progressiva apetência dos consumidores por passeios e compras na via pública. No caso da LSF, são cerca de 30 lojas (8000 metros quadrados de ABL), muitas delas insígnias internacionais, a que os transeuntes podem aceder a partir das artérias pedonais que circundam o quarteirão dos antigos CTT. Espaços com entradas independentes, mas que, por outro lado, obedecem a uma gestão comum de horários, de infraestruturas, do próprio abastecimento (pelas traseiras em corredores técnicos) e do parque subterrâneo, características que os aproximam de um centro comercial.

“Os nossos lojistas são muitos profissionalizados, o que nos distancia de um a certa imagem ultrapassada do comércio tradicional” afira João Carvalho, diretor-executivo da área imobiliária do grupo Regojo. Por outro lado, refere, “os números dizem que não afetámos as vendas dos centros comerciais”.

Esta última conclusão só é possível porque, na verdade, houve lojas do LSF que abriram mais cedo do que outras, em alguns caso há já um ano. A culpa dos atrasos é da crise, que esfumou várias perspetivas de negócio. “Alguns lojistas, até já com contratos assinados, abandonaram o seu compromisso e tivemos de recomeçar de novo, neste último ano, em relação a cerca de 30% a 40% das lojas”, revela aquele responsável.
À data da inauguração, a venda de casas – 20 habitações – estava a 50% e a componente de comércio seguia já nos 80% (além de 15% em negociação, para abrir no início de 2012).

No princípio, contudo, não era este o cenário projetado pelo grupo Regojo. “Há cerca de seis anos, a intenção era avançar só com comércio e apenas em 2000 m2, com lojas de rua e uma galeria no 1º piso do Palácio. Mas a Câmara de Braga não abdicou de fazer a reabilitação de todo o antigo quarteirão dos CTT, 6000 m2! Resultado: tivemos de adquirir o restante terreno e o projeto mudou para um plano global de requalificação de uma área nevrálgica do centro histórico de Braga”, adianta João Carvalho. E mudou também o orçamento: de 15 para €38 milhões.

Passado o “não” inicial da autarquia, as relações foram as melhores, ressalva aquele responsável, elogiando a postura “proactiva” do executivo local. “Hoje entendo perfeitamente a posição da Câmara, até porque já existem dois ou três casos de shoppings no centro da cidade a necessitarem de ser rejuvenescidos. E o que a Câmara precisava era de reabilitar, mas com habitação também, para trazer mais gente a morar nesta área. Conseguiu-se equilibrar as duas partes”, conclui, apontando o processo como um exemplo a replicar para reabilitar o comércio tradicional e os centros das cidades.

Diga-se, por fim, que a mudança introduzida pelo LSF no centro de Braga foi tão profunda que as escavadoras tocaram o que não esperavam: 350 m2 de ruínas romanas. Os achados – uma construção fúnebre e tanques “irão valorizar bastante” o edifício quando forem musealizados. Até poderem ver de pertos os vestígios do passado, bracarenses e forasteiros podem-se ir entretendo com as marcas do presente à superfície, como a dinâmica do Liberdade Street Fashion, que tem a assinatura do arquiteto Gonçalo Byrne.

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